Nota de imprensa em resposta ao artigo “UA descobre metais pesados perigosos para a saúde em biocombustíveis domésticos” publicado pelo Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da Universidade de Aveiro

Nota de imprensa em resposta ao artigo “UA descobre metais pesados perigosos para a saúde em biocombustíveis domésticos” publicado pelo Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da Universidade de Aveiro

A ANPEB – Associação Nacional de Pellets Energéticos de Biomassa vem, desta forma, esclarecer a opinião pública relativamente à recente notícia que circula por variados meios de comunicação, na qual se relacionam perigos para a saúde com a utilização de pellets de madeira. Assim, considerando ser da nossa total competência qualquer questão relativa à utilização de pellets de madeira, esclareceremos de seguida algumas das afirmações apresentadas no artigo jornalístico.

Os metais pesados representam perigo no ar atmosférico, na forma gasosa ou de pequenas partículas, cursos de água e alimentos provenientes do solo. Assim, afirmar implicitamente que o manuseamento de pellets poderá representar um perigo para a saúde pública apresenta-se-nos exagerado. Acrescenta-se ao referido, o facto de todas os equipamentos de combustão de pellets terem um sistema de extração de gases de escape, que enviados para a atmosfera se diluem, não havendo, por isso, contacto direto destes com o utilizador, eliminando os perigos referidos no artigo.

Ao mesmo tempo, é importante frisar que os metais pesados referidos provêm dos tratamentos dados à madeira utilizada no fabrico de móveis e que, seguindo esta via de raciocínio, também deveria ser perigoso o contacto humano com os móveis, o que é obviamente infundado. Apenas cerca de 5% dos pellets produzidos em Portugal utilizam matéria-prima proveniente de carpintarias e construção, sendo por isso pouco relevante a sua penetração no mercado.

Como forma de pôr em perspetiva as afirmações proferidas, estudos assentes na análise de emissões de arsénio em centrais termoelétricas a carvão, um combustível com níveis de arsénio 20 a 500 vezes superior aos encontrados em pellets de madeira, revelaram uma concentração de 2.5 microgramas por metro cúbico nas amostras de gases de escape, recolhidos diretamente da chaminé. A União Europeia define que apenas efeitos leves, não cancerígenos, surgem como consequência de exposição prolongada (ambiente fabril) a Arsénio com concentrações atmosféricas médias anuais superiores a 50 microgramas por metro cúbico de ar. Este limite é 20 vezes superior ao emitido pela central termoelétrica de 300 MW abordada no estudo.

Mais adiantamos que, em nossa posse, temos resultados laboratoriais de 50 amostras de pellets provenientes de diferentes unidades de produção em Portugal e Espanha, nas quais, os valores apurados para metais pesados, em caso algum alcançaram 50% do limite máximo imposto pela norma ISO 17225-2 que é de 1miligrama por quilograma.

Desta forma, condenamos o caracter alarmista do artigo publicado, pela incapacidade de explicar claramente os mecanismos de exposição e os níveis de concentração perigosos relacionados com os metais pesados, podendo levar os utilizadores de pellets à perceção errática de que o simples manuseamento dos mesmos poderá causar-lhes problemas graves de saúde. Lamentamos ainda a inexistência de resultados quantitativos que comprovem as afirmações proferidas.

Colocamos de seguida o link para o artigo em questão: https://uaonline.ua.pt/pub/detail.asp?c=42454

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